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FRAGATA
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Diário de Bordo · mercado

O que um bom atendimento faz, e o que o mercado desaprendeu

Depois de três décadas neste mercado, vi o atendimento virar roteiro e pressa. Escrevo sobre o que se perdeu, e sobre a decisão de reconstruir isso do zero.

Por Jeferson Cerqueira3 min de leitura

Comecei neste mercado como corretor, e tenho orgulho disso. Foi na rua, atendendo, que aprendi o que nenhum treinamento ensina: que vender um imóvel de alto padrão é, antes de tudo, um ato de confiança. Por isso me dói ver o que o atendimento virou em boa parte do mercado. Virou roteiro, virou pressa, virou o cliente tratado como um meio para uma comissão. E o comprador de alto padrão sente isso a quilômetros.

O que um bom atendimento realmente faz

Um bom atendimento não começa mostrando imóvel. Começa ouvindo. Entender como a pessoa vive, o que ela teme, o que ela nem sabe que precisa, vem antes de qualquer visita. Um bom atendimento tem paciência para o tempo do cliente, não para o tempo da meta. Tem honestidade para dizer “este imóvel não é para você”, mesmo quando ele está no estoque e a venda seria fácil. E tem repertório para sustentar uma conversa à altura do patrimônio em jogo, em vez de recitar argumentos decorados.

Isso não é simpatia. É ofício. E ofício se perde quando ninguém cuida dele.

Por que o mercado desaprendeu

O mercado desaprendeu por um motivo simples: o incentivo. Quando o profissional é medido só por volume, o cliente vira número, e o número tem pressa. A rotatividade das equipes faz o resto, a cada troca, o comprador recomeça a contar a sua história para um estranho. O resultado é um setor cheio de gente competente tratando mal quem tem tudo para ser bem tratado. Não é maldade. É um sistema que premia a coisa errada.

A decisão de reconstruir

Quando nos reunimos para construir a Fragata, essa foi uma das primeiras coisas que decidimos não herdar. Em vez de melhorar o atendimento na margem, resolvemos refazê-lo do zero, com uma figura que o mercado brasileiro de alto padrão não tinha: um advisor que fica do lado de quem compra, do começo ao fim, cujo interesse é a decisão do cliente, não o fechamento. A Rita Figueiredo encarna isso pelo lado jurídico; o Pablo Cruz desenhou a tecnologia que sustenta essa promessa sem transformá-la em call center. Cada um trouxe uma peça, e a peça comum é a mesma: respeito por quem confia na casa.

O que a excelência parece de perto

Excelência no atendimento não é sofisticação de discurso, é atenção a detalhes que ninguém pediu. É lembrar que o cliente comentou, de passagem, que trabalha de casa, e por isso mostrar a ele o apartamento mais silencioso antes do mais bonito. É avisar de um problema no prédio que a venda esconderia, porque a confiança de longo prazo vale mais que a comissão de hoje. É saber a hora de calar e deixar a pessoa sentir o espaço, em vez de preencher cada segundo com argumento. Nada disso aparece num treinamento de vendas, porque nada disso é técnica: é respeito, e respeito não se ensina em uma tarde. Ensina-se com o tempo, com o exemplo, e com uma casa que decide, de propósito, medir o profissional por como cuida, e não só por quanto vende.

O que continua sendo verdade

Depois de trinta anos, sigo acreditando na frase com que comecei: ser corretor, no melhor sentido da palavra, é ser guardião de uma decisão importante da vida de alguém. O que mudou não foi o valor do ofício, foi o cuidado com ele. A tecnologia ajuda, a estrutura ajuda, mas no fim há sempre uma pessoa do outro lado da mesa que precisa sentir que está sendo ouvida, e não trabalhada.

O mercado desaprendeu isso porque parou de cuidar. A nossa aposta, simples de dizer e difícil de fazer, é voltar a cuidar, e provar que atender bem, no altíssimo padrão, não é um luxo a mais. É o mínimo.